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O Mito do Passado Glorioso e o Futuro que Ficou na Promessa Cresci, como tantos da minha geração, ouvindo a frase que se tornou quase uma certidão de nascimento do nosso sentimento nacional: “ O Brasil é o país do futuro .” Era uma promessa confortadora. Sugeria que o progresso, a justiça social e a prosperidade eram destinos inevitáveis, apenas aguardando a sua hora de chegar. Hoje, passados muitos anos, contemplo o tempo decorrido e sou forçado a encarar uma verdade desconfortável: o futuro nunca chegou . Pior do que isso, a própria ideia de futuro parece ter sido abandonada em troca de uma miragem ainda mais perigosa: a obsessão por um " passado glorioso " que jamais existiu. A armadilha da nostalgia inventada Quando uma sociedade perde a capacidade de projetar um amanhã inclusivo e moderno, ela costuma se refugiar na saudade do que nunca foi. O fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas aqui ganha contornos dramáticos. Trata-se do reacionarismo nostálgico: a tentativa de ven...

Pautas sociais sem radicalização – como o governo Lula pode avançar


Um dos desafios do atual governo é entregar resultados na área social sem amplificar divisões ideológicas que paralisam o debate no Congresso e na sociedade. Para isso, é possível adotar uma estratégia pragmática que dialogue com o centro político e com setores produtivos, ao mesmo tempo que melhora as condições de vida da população.

 

Na área de renda, o caminho mais promissor é o fortalecimento do mercado de trabalho formal, combinado com programas de qualificação profissional que tenham adesão de setores empresariais. O Bolsa Família já é um programa consolidado; o avanço pode vir na forma de um "seguro de transição" para trabalhadores informais que ingressam no mercado formal, além de incentivos à economia popular e ao empreendedorismo feminino.

 

Na saúde, investir na atenção primária e na redução de filas cirúrgicas são pautas com apelo universal. Parcerias com o setor privado por meio de contratos de gestão, sem privatizações, podem aumentar a eficiência sem desidratar o SUS. A ampliação do programa Farmácia Popular e a regionalização de leitos de UTI também são medidas de alto impacto social e baixo custo político.

 

Na habitação e infraestrutura, retomar o Minha Casa, Minha Vida com foco em famílias de baixa renda e em áreas urbanas consolidadas atende a uma demanda histórica e movimenta a construção civil, setor que articula apoio no Congresso.

 

A chave está no discurso: em vez de enquadrar essas políticas como "ideológicas", o governo pode apresentá-las como gestão eficiente, responsabilidade fiscal com investimento social e desenvolvimento econômico com inclusão. Esse enquadramento permite ampliar a base de apoio e garantir sustentabilidade política para as entregas.

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