Um dos desafios do atual governo é entregar resultados na área social sem amplificar divisões ideológicas que paralisam o debate no Congresso e na sociedade. Para isso, é possível adotar uma estratégia pragmática que dialogue com o centro político e com setores produtivos, ao mesmo tempo que melhora as condições de vida da população.
Na área de renda, o caminho mais promissor é o fortalecimento do mercado de trabalho formal, combinado com programas de qualificação profissional que tenham adesão de setores empresariais. O Bolsa Família já é um programa consolidado; o avanço pode vir na forma de um "seguro de transição" para trabalhadores informais que ingressam no mercado formal, além de incentivos à economia popular e ao empreendedorismo feminino.
Na saúde, investir na atenção primária e na redução de filas cirúrgicas são pautas com apelo universal. Parcerias com o setor privado por meio de contratos de gestão, sem privatizações, podem aumentar a eficiência sem desidratar o SUS. A ampliação do programa Farmácia Popular e a regionalização de leitos de UTI também são medidas de alto impacto social e baixo custo político.
Na habitação e infraestrutura, retomar o Minha Casa, Minha Vida com foco em famílias de baixa renda e em áreas urbanas consolidadas atende a uma demanda histórica e movimenta a construção civil, setor que articula apoio no Congresso.
A chave está no discurso: em vez de enquadrar essas políticas como "ideológicas", o governo pode apresentá-las como gestão eficiente, responsabilidade fiscal com investimento social e desenvolvimento econômico com inclusão. Esse enquadramento permite ampliar a base de apoio e garantir sustentabilidade política para as entregas.
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