Os números de feminicídio no Brasil seguem alarmantes.
Segundo dados recentes, o país registra mais de quatro mortes de mulheres por dia motivadas por violência de gênero. Diante desse quadro, têm surgido iniciativas como cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres, oferecidos por governos estaduais, municipais e organizações não governamentais.
Mas será que essa é uma medida eficaz?
A defesa pessoal pode ser uma ferramenta importante para aumentar a sensação de segurança e proporcionar às mulheres meios de reagir em situações de agressão iminente. Há relatos positivos de mulheres que conseguiram escapar de ataques usando técnicas aprendidas nesses cursos. Além disso, a iniciativa promove autonomia corporal e autoestima.
No entanto, especialistas em segurança pública e políticas de gênero alertam que a defesa pessoal não atinge a raiz do problema. O feminicídio é a ponta final de um ciclo de violência estrutural, que envolve machismo, impunidade, falhas na rede de proteção e dificuldade de acesso a medidas protetivas.
Transferir para a mulher a responsabilidade de se defender é, em certa medida, uma forma de desresponsabilização do Estado.
Portanto, os cursos gratuitos de defesa pessoal são bem-vindos como política complementar, mas não substituem a necessidade de fortalecer a rede de enfrentamento à violência: delegacias especializadas, casas-abrigo, juizados de violência doméstica, monitoramento de agressores e educação para a igualdade de gênero desde a infância.
Uma abordagem eficaz precisa combinar proteção, prevenção e punição — e a defesa pessoal, por si só, não resolve o problema.
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